A Licenciatura em Ciências Biomédicas (LCBM) funciona desde 2006 na Universidade de Aveiro. Desde a sua abertura tem-se mantido como uma das licenciaturas mais procurados da Universidade de Aveiro, com os seus estudantes a apresentarem as melhores médias de ingresso da Universidade. A LCBM é o único curso de 1º ciclo do Departamento de Ciências Médicas.
Atualmente beneficia do ambiente científico ideal devido à presença no mesmo espaço físico do IBIMED - Instituto de Biomedicina de Aveiro.
O corpo docente da LCBM é composto por pessoas com formações muito diversificadas, altamente motivados e sempre disponíveis. A grande maioria dos docentes tem também atividade de investigação de elevada qualidade.
O curso é ideal para os interessados em ciências médicas e abre aos estudantes uma grande variedade de opções de carreiras, incluindo investigação médica na indústria farmacêutica ou em institutos públicos ou privados, medicina de diagnóstico ou forense, transferência de tecnologia ou marketing de produtos biomédicos.
Os estudantes da LCBM vão desde pessoas que já sabem exatamente o que pretendem seguir no futuro até pessoas que não pretendem fixar-se num tópico específico nesta fase precoce da sua formação.
A qualidade da LCBM e o ambiente de suporte do Departamento de Ciências Médicas, do IBIMED e da Universidade de Aveiro é atestada pela baixa taxa de reprovações dos estudantes e a elevada taxa de empregabilidade dos licenciados (96%) em indústrias farmacêuticas e laboratórios/institutos de investigação (onde estão a realizar os seus doutoramentos). Os LCBM completaram os seus estudos com mestrados no Departamento, na Universidade ou noutras Universidades.
A Licenciatura em Ciências Biomédicas (LCBM) pretende que os estudantes, futuros licenciados, tenham as seguintes competências: comunicadores, colaboradores, organizadores, especialistas em Biomedicina, investigadores, professores e profissionais. As Ciências Biomédicas têm por objetivo a integração de conteúdos de várias áreas de modo a poder entender-se a ciência das causas, diagnóstico e tratamento de doenças (biologia das doenças). O conteúdo programático inclui, por isso, conteúdos científicos fundamentais de base e conteúdos de especialidade das ciências biomédicas integrados através do estudo da biologia das doenças. Assim, os conteúdos de base abordados são a biologia, bioquímica, bioestatística e técnicas laboratoriais, sempre associados aos humanos. Para além destes, são também muito relevantes tópicos mais específicos como: fisiologia, anatomia e patologia associada aos diferentes sistemas.
Descrição da LCBM
A Licenciatura em Ciências Biomédicas na Universidade de Aveiro está dividida em 2 menores (ramos): Biomedicina Molecular e Biomedicina Farmacêutica. Esta divisão só ocorre no segundo semestre do 3º ano da LCBM. Assim, nos 2 primeiros anos do curso, quando ainda não se realizou a diferenciação, os conteúdos programáticos abordados por ambos os menores incluem: a organização dos sistemas de saúde, informática aplicada às ciências da saúde, anatomia, fisiologia, química orgânica, bioestatística, genética médica, comunicação em saúde e inglês, biologia celular e molecular, patologia, biotecnologia clínica, técnicas laboratoriais em biomedicina, farmacologia geral e clínica e terapêutica. A disciplina de formação clínica é modular e abrange várias áreas do conhecimento, incluindo a farmacoterapia, descoberta de novas drogas, semiologia clínica, microbiologia clinica, e patologia e diagnóstico, entre outros. Em suma, uma formação ampla na área das Ciências Médicas.
Na Licenciatura em Ciências Biomédicas existem aulas práticas ao longo dos 3 anos do curso. As aulas são bem estruturadas para permitirem ao estudante desenvolver competências ao longo de toda a licenciatura. As competências vão desde técnicas individuais (uso de pipetas automáticas, por exemplo) até ao uso de equipamento complexo e procedimentos avançados (ensaios imunológicos, PCR, etc).
Com a formação desta licenciatura, o estudante terá bases para exercer uma grande variedade de atividades na área das Ciências Médicas, uma das grandes vantagens desta licenciatura.
Para mais detalhes consultar o plano curricular:
http://www.ua.pt/ensino/PageCourse.aspx?id=18&p=4
Descrição dos Menores da LCBM
O aluno escolhe o menor no final do 2º semestre do 2º ano. Existem preferencialmente x/2 vagas para cada menor (sendo x o numero de estudantes desse ano), podendo no entanto haver um maior nº de estudante num dado menor até ao limite de 35 por opção. Os critérios de seriação assentam no numero de UCs concluidas e numa média ponderada entre a nota de candidatura ao ensino superior (30%) e a média dos dois primeiros anos da LCBM (70%).
Biomedicina Molecular
O menor de Biomedicina Molecular combina conhecimentos de biologia molecular e bioquímica e aplica-os às ciências médicas. Aprofunda-se conhecimentos (teóricos e práticos) de técnicas usadas na biomedicina em diagnóstico e investigação.
Ao longo da licenciatura realizam-se vários projetos, que incluem artigos científicos com base nas experiências feitas em laboratório, estudo aprofundado da fisiopatologia de determinada doença (leucemia, anemia falciforme, SIDA, etc.), apresentações orais e por poster.
Saídas profissionais: O menor em Biomedicina Molecular fornece bases sólidas para prosseguimento de estudos e posterior ingresso numa carreira de investigação e na docência. Também permite trabalhar em ambiente hospitalar ou em clínicas de diagnóstico e terapia molecular. Os Licenciados em Ciências Biomédicas – menor Biomedicina Molecular têm também competências para ingressar em indústrias de vários ramos como, por exemplo, farmacêutico, alimentar e biotecnológico.
Biomedicina Farmacêutica
O menor de Biomedicina Farmacêutica tem como objetivo a formação em I&D (Investigação e Desenvolvimento) do medicamento, focando-se no planeamento e monitorização de ensaios clínicos, gestão e análise de dados clínicos, estatísticas desses ensaios, controlo de qualidade e regulamentação dos medicamentos. É uma área mais burocrática e menos prática. Adquirem-se competências na execução de relatórios, na avaliação de documentos de aprovação de medicamentos, na utilização de programas de estatística e de gestão de dados.
Em particular ao menor de Biomedicina Farmacêutica tem-se formação complementar no desenvolvimento farmacêutico, em fármaco-economia e em estudos de farmacologia humana.
A grande diferença com as Ciências Farmacêuticas reside no facto de Ciências Biomédicas – menor Biomedicina Farmacêutica - ter uma formação que incide na parte regulamentar no último ano e uma formação geral em Ciências Médicas nos dois primeiros anos. Áreas de base como química orgânica ou síntese laboratorial de drogas são abordadas de forma menos profunda.
Para planear e monitorizar ensaios clínicos é necessária uma formação especializada dos profissionais de saúde, daí a importância da licenciatura em Ciências Biomédicas – menor Biomedicina Farmacêutica na conjuntura atual para criar uma equipa multidisciplinar com farmacêuticos ou médicos.
Os projetos realizados podem passar por relatórios ou documentos para introdução de um medicamento no mercado, trabalhos sobre interações droga – proteína, projetos sobre métodos de análise estrutural, apresentações orais, planos de ensaios clínicos ou pré-clínicos (in vitro e in vivo) referindo que testes utilizar, onde e em que condições, entre outros.
Saídas Profissionais: O menor em Biomedicina Farmacêutica permite planear e monitorizar ensaios clínicos, realizar controlo de qualidade em indústrias e laboratório, fazer a regulamentação de medicamentos trabalhando com as entidades reguladoras, analisar e gerir dados clínicos e fazer estatística clínica. Tal como em qualquer outra licenciatura os estudos podem prosseguir para uma carreira de investigação e docência.
O Método de Ensino – Aprendizagem Baseada em Problemas
Aprendizagem baseada em problemas ou PBL (Problem Based Learning) é a metodologia de aprendizagem usada na Licenciatura em Ciências Biomédicas em Aveiro na maioria das disciplinas. Este método tem vindo a ganhar enfase neste período pós-Bolonha e tem sido adotada por outras Universidades que, tal como a Universidade de Aveiro, estão na vanguarda da Educação. Basicamente, as aulas teóricas são poucas. Os estudantes são inseridos num “grupo tutorial” de 10 pessoas. No início de cada semana existe uma “sessão tutorial”, em que é apresentado um problema, normalmente um caso clínico, relacionado com a matéria correspondente a algumas Unidades Curriculares.
Durante a sessão tutorial, com a ajuda de dicionários médicos e de português, o grupo discute o problema e tenta encontrar pistas que conduzam aos objetivos traçados pelo consultor da Unidade Curricular. Após a discussão, elaboram-se os pontos ou ideias-chave do problema que ajudam o grupo a elaborar questões de aprendizagem. Por fim, escrevem-se os objetivos que o grupo se propõe atingir com as questões e propõem-se uma bibliografia adequada para a realização do trabalho autónomo. Uma das grandes vantagens deste método é que o desenrolar da sessão não é fixo, dando liberdade ao grupo de escolher a metodologia que melhor se adequa ao problema.
No final da semana, há uma segunda sessão tutorial em que se expõe a informação adquirida durante o trabalho autónomo, através da resposta às questões formuladas na sessão anterior. É uma sessão bastante dinâmica, onde os estudantes podem expor além dos seus conhecimentos também as suas dúvidas, e em conjunto com os colegas atingir os objetivos propostos. Normalmente, após esta segunda sessão, o consultor disponibiliza uma hora de atendimento em que esclarece eventuais questões que tenham surgido – normalmente sob a forma de um seminário.
A sessão tutorial é acompanhada por um docente, o tutor, que não é um professor convencional mas mais um membro do grupo que tenta levar a discussão no sentido certo (de acordo com as orientações do consultor), aponta os problemas e críticas dos alunos entre outros assuntos relevantes na tentativa de melhorar a qualidade das sessões.
É assim que estudantes de Ciências Biomédicas aprendem. Os professores tutores acompanham o estudo, tiram dúvidas mas normalmente não expõem os conteúdos. Daí que em Ciências Biomédicas existem estudantes e não alunos. Este método permite ultrapassar um problema que existe atualmente e que é uma das causas do desemprego jovem - a pouca autonomia que os recém-formados apresentam, o que desincentiva os empregadores a optarem por esta classe na altura de aumentarem os seus recursos humanos. Não podemos também esquecer que apesar de parecer que os estudantes estão sozinhos no seu estudo, todo o processo está a ser controlado pelos professores (direção de curso, consultores e tutores) e as competências e objetivos específicos são bem definidos. A cada ano que passa os estudantes vão ficando mais autónomos e, no final da licenciatura têm a capacidade para resolver os problemas que vão ter que enfrentar no futuro – estarão preparados para a vida real.
Porque a Universidade não é um local em que apenas se formam alunos, é um local onde se devem preparar os alunos para a vida pós-estudos o método de PBL é uma grande mais-valia e uma das maiores “armas” desta licenciatura na formação de grandes profissionais de saúde.
O método de aprendizagem é bastante trabalhoso, principalmente no início enquanto o estudante atravessa uma fase de adaptação à Universidade e ainda não escolheu o melhor método para a realização do seu trabalho autónomo. O facto de se ter muito trabalho, e de um modo constante ao longo de todo o semestre não impede de usufruir da verdadeira vida académica!
Semana típica na Licenciatura em Ciências Biomédicas
A semana típica na LCBM tem 40 horas que incluem aproximadamente 20 horas de contacto com docentes e 20 horas de estudo autónomo.
A aprendizagem em PBL dá ao estudante competências extra que o método tradicional não proporciona como pensamento crítico, comunicação escrita e oral e recuperação e acesso a informação.